Ramon K.

O acúmulo das pequenas coisas

No Hábitos Atômicos, o James Clear conta uma história da equipe de ciclismo britânica, que ilustra perfeitamente como o acúmulo de pequenas coisas pode ter um grande impacto.

A história é que, até 2003, o desempenho da equipe de ciclismo do Reino Unido era, na melhor das avaliações, medíocre. Em 100 anos, eles só conseguiram ganhar uma medalha de ouro em olimpíadas — que tem umas quinze modalidades diferentes de ciclismo. Tour de France: nenhuma. Aí, em 2003, eles resolveram contratar um novo gerente geral, um cara chamado Dave Brailsford.

Esse cara trouxe pro time uma abordagem bem inusitada na época: um sistema de agregação de ganhos marginais. A ideia é que se você conseguir melhorar tudo o que você faz em 1% sequer, no todo, você vai ter uma grande melhoria. E se essa grande melhoria for mantida por um longo período de tempo, o seu resultado final vai ser inevitavelmente melhor.

Então, assim que ele assumiu, começou a fazer pequenas melhorias. No começo, as melhorias foram óbvias, como ajustar o design dos selins pra ficarem mais confortáveis, melhorar a aderência dos pneus, testar novos tecidos pras roupas etc. Mas depois de um tempo a equipe dele começou a se concentrar em detalhes que a maior parte das pessoas nem consideraria.

Por exemplo: eles começaram a testar qual tipo de colchão e travesseiro proporcionava a melhor noite de sono pra cada atleta. Eles contrataram um cirurgião pra ensinar os atletas a lavarem as mãos, de forma que reduzisse a chance de pegarem uma gripe ou algum outro vírus. Eles trocaram a cor interna do baú do caminhão pra brancon pra enxergar melhor a poeira, que poderia estragar minimamente as bicicletas. E foram centenas de pequenas melhorias desse tipo.

O resultado de tudo isso veio antes de qualquer expectativa. Nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008, só cinco anos depois, o time britânico ganhou 60% das medalhas de ouro do evento. Nas olimpíadas seguintes, em Londres, o time quebrou dezesseis recordes. No mesmo ano das olimpíadas de Londres, em 2012, os britânicos venceram pela primeira vez o Tour de France. E de novo em 2013, 2015, 2016, 2017 e 2018.

Acho essa história interessante porque ela justifica lutar por pequenas mudanças, mesmo que pareçam idiotas. Porque, quando você considera a consistência e o longo prazo, elas não são idiotas. As coisas se acumulam. E o tempo multiplica o resultado. Vale pra coisas boas, e vale pras coisas ruins.